"Efêmero Ser" ... a vida não é mais que um breve poema, quando se entende os versos, já não se está mais a ler…(Cherry Blossom)

POEMA TORTO - POESIA - Série Poemas Brincantes

>> terça-feira, 31 de março de 2009





POEMA TORTO


A gente é mesmo assim
Sem eira nem beira
Sem esquadro
Sem prumo sem meta
A gente conversa
Na mesma esquina
E dobra a rua
No fim da reta

Cherry Blossom


Série Poemas Brincantes

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FELINA - POESIA - Série Evocações do Ser

>> quinta-feira, 19 de março de 2009









FELINA


À noite
Um tigre andou
Sobre os meus sonhos
E deitou-se
Ao lado esquerdo
Da minha alma
Da minha vida
Temi
E corri vagando
Entre vales
Desconhecidos de mim
Até que
Olhando de frente
Por entre as correntes
Pelos olhos da fera
Eu me vi

Cherry Blossom

Série Evocações do Ser


foto: image*after



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ASPECTOS DE UMA PRIMAVERA NOTURNA – CRÔNICA – Cherry Blossom

>> quarta-feira, 18 de março de 2009





ASPECTOS DE UMA PRIMAVERA NOTURNA



Há flores que se despertam somente quando a noite derrama seu véu escuro sobre os ombros do dia. Sábias, sabem da brevidade da sua existência e sorrateiramente lançam seus aromas inebriantes sobre os mortais a fim de atrair para si o maior número de admiradores que as façam prolongarem sua curta existência inda que em pólen de memórias meramente olfativas.

Sabemos também das criaturas geradas no ventre da noite, rebentos misteriosos aos lúcidos olhos do sol. Como ébrios, no negrume do leito materno sobrevivem tateando a mão de quem lhes aprimorou os extintos. Provam dos frutos noturnos e deleitam-se no doce licor destilado no frescor do orvalho.

Noto que ao descer sua penumbra sobre a terra a vida convida a renovação, convoca-nos a sua sombra. Uns procurarão da noite o êxtase, o deslumbramento dos sentidos, a perda das razões. Outros procurarão no seio dessa estação noturnal apenas conforto, a seiva restauradora do âmago das suas aflições e outros ainda apenas os intensos sabores e mistérios da paixão.

À noite, toda sorte de floríferos desejos cobrem da terra a extensa imensidão. Quando o
sol desponta em suas alvoradas magníficas os homens despertam e lhe trazem os frutos de inflorescências desabrochadas nessa primavera noturna. E mesmo nos lugares mais obscuros da terra os campos se cobrem de frutos.
E as manhãs, como clarins tocam seus prelúdios, anunciando mais um dia verão.
.
Cherry Blossom

foto: image*after




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CREPÚSCULO - POESIA - Cherry Blossom

>> segunda-feira, 16 de março de 2009





CREPÚSCULO


A boca da noite
Beijava a lua
E o prenúncio das horas
Exalava hálito de jasmins

Cherry Blossom


foto: Rose Gomes


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ESQUINAS - CRÔNICA - Cherry Blossom

>> sábado, 14 de março de 2009

Esquina Azul





ESQUINAS


Gosto de parar em esquinas quando estou caminhando.
Elas nos ofertam novas perspectivas das velhas ruas que habituamos percorrer. De repente um canto comum oferece à íris a possibilidade de um novo foco. Uma nova tomada a cada movimento entre cílios e pálpebras. Mas nem sempre é possível se deixar tomar por esse breve encantamento. A vida exige tanto e temos tanta coisa requerendo o nosso concorrido e exaurido observar.

E se não olhamos nem para um ângulo por onde poderíamos facilmente contemplar que diremos então das esquinas que sobre nós flutuam e que só alcançamos quando nos desprendemos desse nosso tão frágil olhar.

Azuis infindáveis onde sóis aguardam luas arrebatadoras e mágicas, potes escondidos em tantos arco-íris, brisas que contam histórias de novos horizontes...
Direções novas nos são ofertadas a cada cruzamento, universos paralelos e perpendiculares revelam-se.

Ali o homem vislumbra diante de si rotas novas e o que é velho assume as vestimentas do atemporal. O olho que apenas via agora enxerga entende e por esse novo prisma passa também a crer.

Há tantas possibilidades nesse cruzamento de infinitos, de novas cores que se mesclam a retina do transeunte dessa nova ótica, mas certezas talvez apenas uma é fato.
É a de que a esquina mais azul fica bem mais ao sul que qualquer tentativa de entendimento.

Cherry Blossom

Dedicada a Orlando Baumel

foto: Rose Gomes


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LEMBRANÇA - POESIA - Série Amor & Açúcares





LEMBRANÇA


Vago
é teu nome
na minha memória

Remoto poema
que gravei no pó
na janela dos dias

Faísca
de um cometa antigo
que atravessou o tempo
da minha noite escura

Vago...
entre os rastros
do teu nome....


Cherry Blossom

Série Amor & Açúcares - Poemas de Amor
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CELA - POESIA - Série Evocações do Ser

>> quarta-feira, 11 de março de 2009




CELA


Quatro paredes cegas
Observam-me

Quatro paredes cegas
De tanto vigiar

Inertes
Quatro paredes
Aprisionam meu andar

Cegas
Quatro paredes
Capturam meu olhar

Entre quatro paredes
Inerte e ao centro
Quedo-me
Cega
Entre as quatro paredes


Cherry Blossom

Série Evocações do Ser
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Valentine's Day - POESIA - Série Amor & Açúcares

>> segunda-feira, 8 de setembro de 2008


Valentine's Day


Há um tempo em mim
Que te espera
Já dantes apregoado
Em algum portal bendito
Bordado de escarlate
Teu nome feito em fita
Meu coração enlaça
Há um tempo sim
Em mim que te espera
No jardim
Onde germinam os cupidos
Há um buquê adormecido
Repousando entre as sementes
Há sim um tempo em mim
Que te espera
Numa caixa de bombons
Nossos dias enfileirados
Um a um embalados
Em papel de seda azul
Amarrados com fitilhos
Há dois corações selados
Sim há dois nomes gravados
O meu nome e o teu
.
Cherry Blossom
.
Serie Amor & açúcares - Poemas de Amor

Fotografia: Domínio público dos Estados Unidos


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THE END - POESIA - Série Evocações do Ser

>> sábado, 2 de agosto de 2008





THE END


Então
Tudo ficou assim
Encerrado
Porta adentro guardado
Nas trancas
De um mudo coração
Mas
A dor
Ressurgida naquela
Nefasta manhã
A irmã da vilã
A protagonista
Dessa triste história
Essa infeliz senhora
Gritava
Do lado de fora

Cherry Blossom

Série Evocações do Ser



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DESENCANTO - POESIA - Série Poemas Brincantes

>> segunda-feira, 16 de junho de 2008





DESENCANTO


Finos taninos
Brotaram do teu cálice

E teus pés
Tomaram ligeiro
a rota dos cruéis

A lua
Fugiu
roubando teus beijos

E a noite
Tomou as estrelas
que pendiam meu dossel

Cherry Blossom


Série Poemas Brincantes

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AMOR E INSENSATEZ VII

>> domingo, 1 de junho de 2008


Percebia quando tu me olhavas
Contemplando-te então eu ficava
Decifrando-me tu te desviavas
Revelando-me o que vias em mim


Cherry Blossom
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POEMA INSONE - POESIA - SÉRIE EVOCAÇÕES DO SER

>> quarta-feira, 28 de maio de 2008






POEMA INSONE


Eu sei de mim
E da minha dor

Do levante
emboscado
Nas hordas do
pensamento

Da sonâmbula hora
Que açoita o silêncio

Da boca que sangra
sufocando a mordaça

Da faca que corta
A garganta da noite

Da lava que cai
Queimando a mão
Da madrugada
.
Cherry Blossom

Série Evocações do Ser
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MATUTINO

>> terça-feira, 20 de maio de 2008





Do laço azul do dia
Róseas manhãs
Despencam fantasias

Cherry Blossom


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VESPERTINO

>> segunda-feira, 19 de maio de 2008






Na tarde semente
Germinam noites
Canteiros de manhãs

Cherry Blossom


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NOTURNO

>> domingo, 18 de maio de 2008




Incontidos desejos
Destilam segredos
No orvalho da manhã

Cherry Blossom


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AMOR E INSENSATEZ VI

>> sábado, 10 de maio de 2008

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Cegar-se de amor
E não mais se achar
Perder-se então
E por fim te encontrar

Cherry Blossom



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PEQUENO POEMA DE DESEJO

>> sábado, 3 de maio de 2008

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PEQUENO POEMA DE DESEJO

No movimento delicioso dos teus lábios
Repouso suave o meu desejo
E abandono a minha alma
Quando tua língua me leva a delírios
Mas quando vou subindo com meus olhos
Em transe pelo templo do teu rosto
No poder do teu olhar
Começo a perder o juízo
É no farfalhar dos teus cílios
Que adentro os portais do paraíso
.
Cherry Blossom



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AMOR e INSENSATEZ V

>> terça-feira, 15 de abril de 2008



Eu fingia quando te fazia crer
Na fantasia que me fazias viver
Mentimos de fato
Fomos atores do nosso próprio ato
.
Cherry Blossom


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AMOR e INSENSATEZ IV

>> domingo, 6 de abril de 2008





Éramos apenas palavras
Mas nossas almas
Insistiram em falar
Houve em nós silêncios...

Cherry Blossom

dns fotografia digital



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LENDA - POESIA - Série Poemas Brincantes

>> sexta-feira, 28 de março de 2008






LENDA



PARTE I

Num templo de sonhos
Havia príncipes
Castelos
Luas e sóis
Bordados em sedas
De desejos
O amor era o canto
Dos homens
Mas o tempo cruel
Rasgou de todos
Os corações
As vontades
E lágrimas de saudades
Choveram do céu

PARTE II

Deve ter sido
Nesse tempo
Que teu amor
Fugiu de mim
Tu
Príncipe desencantado
O céu
Chovendo saudades
E eu
Molhando-me no jardim
*
*
Cherry Blossom
*
Série Poemas Brincantes


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